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Para que um Escola de Sustentabilidade?

Atualizado: 12 de mar. de 2023




A SUSTENTABILIDADE está na moda, tendo tomado definitivamente o mundo corporativo ocidental com a insistência na Agenda ESG (Environmental and Social Corporate Governance - Governança Corporativa Ambiental e Social) e a Agenda 2030 da ONU (ligada aos 30 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS ou SDG em inglês). Faz sentido, nesse panorama, uma Escola de Sustentabilidade como a que o Sítio Bandeira Branca propõe?

Em primeiro lugar, é fundamental demarcar que nossa proposta é absolutamente crítica a essas iniciativas. Não porque não acreditamos no conceito de sustentabilidade, mas por buscarmos desvendar a absoluta insuficiência e mesmo a hipocrisia dessas agendas. Da forma como as compreendemos (fruto de um estudo de Mestrado que desenvolvemos na Alemanha), essas agendas são pouco mais do que uma maquiagem para práticas corporativas que não só levaram o mundo à beira do colapso que vivemos como também não propõe mudanças significativas, continuando sendo a lógica de lucro fácil e rápido o motor do sistema econômico que nos domina. A Escola de Sustentabilidade do Sítio Bandeira Branca assume, portanto, uma visão absolutamente crítica ao sistema sociopolítico e econômico vigente na maioria do mundo (capitalismo liberal).

Por outro lado, o conceito de Sustentabilidade que trabalhamos e buscamos praticar inclui uma série de dimensões que estão totalmente fora do radar do que essas agendas propõem. Dimensões psicológicas, por exemplo, estão, para nós, no centro das atenções. Muito desse capitalismo selvagem que vivemos pode ser explicado pelo medo de escassez que impulsiona atitudes egoístas e acumuladoras. Trabalhar dimensões de abundância em nosso próprio inconsciente é, portanto, trabalhar sustentabilidade. São muitas as dimensões “heterodoxas” da sustentabilidade que consideramos importantes e dignas de nota.

O que mais nos importa, entretanto, é fomentar formas de vida simples, de pessoas simples e motivadas, engajadas na regeneração do planeta e da humanidade. Reconhecemos que há muitos espaços e empreendimentos pedagógicos que desenvolvem ótimas práticas que merecem com todo mérito ser chamados de sustentáveis. Amiúde, entretanto, eles são especializados: bioconstrução, agrofloresta, etc. O que propomos é um espaço que seja holístico, no sentido de trabalhar muitas, idealmente todas as dimensões da sustentabilidade (apesar de sabermos que nunca chegaremos nesse ideal, mas é um referencial de para onde caminhar).

Pretendemos ser uma Escola que seja eminentemente prática, que tenha a prática do dia-a-dia como tônica. Assim nos diferenciamos da academia universitária (que é eminentemente teórica). Mas que discuta, em profundidade, também as questões teóricas que devem ser sempre as constelações com que nos orientamos no navegar de nossas vidas. Filosofia, Engenharia, Política, Química, Sociologia, Biologia, Psicologia, Física, Espiritualidade, Nutrição, Antropologia, Saúde, todos os campos do saber devem concorrer para a construção de horizontes de vidas sustentáveis. Mas, em nossa visão, eles só podem construir um horizonte genuíno se as pessoas que os propõem estejam dedicados, de corpo, alma e existência a essa tarefa de resistência.

A Escola de Sustentabilidade do Sítio Bandeira Branca tem, como professores e professoras, pessoas que assumiram, há tempo, esse compromisso. Viveram as alegrias e as agruras que essas escolhas suscitam. Têm, portanto, repertório de construção de Sustentabilidade. Esses Agentes de Transformação, selecionados com cuidado, são os elos fundamentais do que estamos propondo. É para que sua experiência (iluminada pelas teorias que desenvolvem) possa dialogar com cada vez mais pessoas, que a Escola de Sustentabilidade do Sítio Bandeira Branca existe.

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Que texto pertinente!

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